Desde muito jovem Fernanda Bum desenvolveu  uma profunda conexão com as artes. Seja lendo sobre sua história, freqüentando aulas de ballet, ou um antigo cemitério indígena ao lado de sua casa, a fascinação, com a combinação de misticismo, realidade subjetiva e arte como principal meio de expressão, tem sido uma constante ao longo da sua vida.

 

Iniciando seus estudos e carreira em arquitetura, seguindo os passos do pai, Brum formou-se na Universidade Ritter dos Reis e especializou-se em Gestão Urbana.

 

Ao longo de sua vida, Fernanda interessou-se por diferentes áreas criativas. Vivenciou movimentos contra-culturais em sua cidade natal, Porto Alegre e, posteriormente, em São Paulo. Numa jornada constante através de várias formas de expressão de sua identidade foi, da criação de espaços como "Nation" em 1995 (loja dedicada aos novos designers nacionais) e "Mojo" em 2000 (espaço combinando cabelos, arte e eventos), a um reconhecido trabalho de criação de figurino para teatro com o grupo Falos & Stercus.

 

Enquanto estava envolvida em tais projetos, Brum perde sua mãe, Marly, e seu pai, Joaquim. O impacto do luto e perda é explorado em  projetos futuros, e sua arte expressa diferentes formas de feminilidade e perda.

 

A experiência do luto impeliu à criação do projeto, muito pessoal de Brum, Númen. Nele, desencorpadas cabeças em bronze, são reduzidas a sua mais orgânica forma. Principal significação da identidade, nas mãos de Brum, a cabeça é uma estranha memória de mortalidade e experiências vividas, agora, forma física sem consciência, ainda carregada da energia impactante do que um dia foi.
 

À medida que assumem diferentes entidades, com distintas expressões emocionais, a artista explora identidade e ancestralidade, bem como suas próprias relações familiares.

Alusão ao Memento Mori, as cabeças são dispostas na mesa como ornamentos, lembranças.

 

Brum aprofunda sua educação em escultura e arte, fazendo parte em vários cursos técnicos dentro e fora do Brasil. "Ave Maria", idealizada enquanto vivia em uma pequena e conservadora comunidade, São Francisco Xavier, é sua primeira escultura de corpo inteiro. Uma velha mulher aprisionada por arame farpado, procura manter sua força e dignidade. Esta obra recebeu o prêmio internacional de melhor escultura na última edição do Salão de Outono da América Latina.

 

Sua obra mais recente, "Garota Ajoelhada", é uma continuação ideológica de seu trabalho. Estas esculturas exploram a idéia do corpo enredado pela religião, do corpo como propriedade e das crenças como uma prisão moral para as mulheres.

Fernanda Brum reside e trabalha em São Paulo, Brasil.

 

Foto: www.silviabrum.com.br / Texto: Bijú Belinky